O Pinguim de Geladeira

Um tiquinho de coisas soltas, podem formar uma coisa só no final das contas.

Retrospectiva 2013 e resoluções para 2014

Parte 1: Retrospectiva 2013

2013 foi um ano de mudança. De decisões. De reencontros. De surpresa. De alegria única. Da paixão repetida. De libertação, de renovação e de decepção. E acima de tudo, foi o ano do auto-conhecimento.

Foi o ano em que eu decidi largar a comodidade de lado e, depois de 3 anos, trocar de emprego.

Foi o ano que me fez reencontrar com amigas de infância que amo e sentia muita falta. Amigas essas, que me separei por imaturidade há pelo menos 5 anos atrás.

Foi o ano de surpresa, pq me fez ver que mesmo depois de pelo menos 5 anos afastadas, nada mudou. Nossa relação continua a mesma. E isso, pelo menos pra mim, só pode ser chamado de amizade mesmo.

Foi o ano em que o Galo foi campeão da Libertadores e sem querer ser clichê, me transportou pra um estado de alegria ímpar! Uma sensação gostosa, de torcedor. É gostoso torcer pra um time, saber amar e aprender a vencer!

Foi o ano em que me apaixonei de novo pelo mesmo homem. Comecei a sentir de novo borboletas no estômago. Que delícia!

Ano da libertação, da renovação e da decepção. Libertação do trabalho antigo. Sentir a esperança de novo, no trabalho novo! E aí renovar os ares, os colegas e as atitudes e perceber que o problema não é isso. Se decepcionar, percebendo que o problema sou eu mesma. Perceber que perdi o tesão pela função que exerço, pela área em que trabalho e pelo mercado que estou.

E por isto, fazer de 2013 o ano do auto-conhecimento. Pegar de tudo isso e saber que pouco a pouco, eu estou amadurecendo. Crescendo como pessoa e deixando que isso afete minha carreira profissional. Aprendi, em 2013, a me colocar em primeiro lugar, a deixar o trabalho de lado. A colocar os amigos em um outro patamar, bem acima de onde eles estavam e valorizar isso. Muito difícil encontrar bons amigos. Vamos valorizar os que temos. Vamos ser menos materialistas. Amanhã, posso ter um infarto e a única coisa que quero deixar é o que aprendi, o que sou e o que pretendia ser. O que conquisto é consequência de tudo que posso ser.

Vamos juntar todas estas reflexões e levar pra vida. Fazer da vida uma sprint. Sprint de um ano. Ao final de cada dia (ou nem tanto) fazer uma daily meeting e pensar no que estou fazendo, o que tenho pra fazer e o que me impede de fazer o que quero. No final do ano, fazemos uma retrospectiva e guardamos as lições aprendidas. Vamos ter kanban e utilizar postits! Isso faz crescer mais. É útil!

Parte 2: Resoluções 2014:

Vou fazer um apanhado de coisas que quero fazer em 2014 para me dar uma qualidade melhor de vida. As metas que todo mundo faz, tipo “comprar um carro” ou “ter um novo emprego” eu vou guardar só pra mim. Minha lista vai ter somente pequenas atitudes que podem mudar muito a minha vida. São coisas que já identifiquei e que com um pouquinho de esforço consigo mudar.

Vou fazer um “balanço” mensal para ver o que estou seguindo para poder ver o que estou fazendo certo, o que estou fazendo errado, o que ainda posso mudar, o que posso incluir… essa lista vai ser dinâmica!

1) Não comprar nada somente pelo preço
2) Atividade física no mínimo 4x por semana
3) Não comer por olho
4) Domar a mente. O que o corpo faz deve ser ordenado pela mente e não o contrário! Mind over the body!
5) Ter no mínimo 40 minutos diários dedicados à leitura
6) Estar mais junto dos amigos e família
7) Estudar fora da sala de aula
8) Ser mais altruísta e positiva
9) Praticar o desapego material e emocional. Não agrega? Desapega!
10) Fazer uma prece todos os dias pela manhã

E foi dada a largada!

#52semanas – Semana 1: Coisas que me fazem ficar feliz

Vi um dia desses pra trás uma série de posts lá no Blogando com a Nicole (amo os textos dela!) e curti demais. Pedi que ela me mandasse a lista para que eu pudesse seguir também.

Serão 52 semanas, postando um post por semana. Cada semana tem um assunto. Cada assunto deve ter 5 ítens.

O da primeira, é o título deste post. Coisas que me fazem ficar feliz, que não listarei em ordem de importância… hahaha

1) Um livro que me prenda. Aqueles que você esquece da vida lendo. Vira noites, perde os pontos de ônibus, perde ônibus, lê em pé, esquece do horário de comer, lê na academia, lê em todo lugar. Aquele que te deixa órfão quando acaba. O último que li assim foi o “A casa dos espíritos”. Tenho uma estante de livros esperando por minha leitura, pode ser que lá tenha o próximo.

2) Origami. Eu adoro fazer origami. Adoro aqueles desafiadores. Uma vez um amigo me ensinou a fazer um, lá em SP. Tenho ele até hoje, perfeito. Nunca consegui fazer outro igual. Isso tem 2 anos. hahahaha

3) Lembranças que me fazem rir sozinha. Tipo “Cloves com E”, “Careca de saber”, “dar uma banda que ela cai de lado”, “pornografia asiática”, “garbage collector de 1992″, “vou rodar o pé na sua cara”, “deu o último commit e se acha dono do projeto”, “chama seu vô pra dentro” e mais inúmeras piadas internas de fases remotas da minha vida.

4) Cozinhar. hahaha síndrome de amélia à parte, sempre gostei de cozinhar. Sempre gostei de inventar receitas e colocá-las em prática. Agora, depois da minha reeducação alimentar, tenho gostado ainda mais. Tenho levado almoço para o trabalho só para poder ter um tempinho de criar algo para mim. Às vezes o tempo não permite inventar muito. Mas ainda assim, gosto.

5) Reconhecimento. Isso de longe é o que mais me deixa feliz. Geralmente não sei lidar com elogios, às vezes rebato de forma que não deveria. Mas quer me fazer ganhar o dia, é falar que alguma coisa que eu fiz/tenho feito está bem feito. Uma delas, que mais tem me deixado feliz, é “Como vc emagreceu!” hahaha!

Percebeu que nem tem “correr” na lista? É pq esse já ta ficando batido. Ta todo mundo “careca de saber” que é meu maior hobby atualmente. De 6 posts no blog, vai ver que uns 4 falam de correr.  Daqui a pouco vou calçar um tênis no pinguim.

O dia em que completei meus primeiros 5km oficiais.

Já falei aqui sobre meu hobby em correr. Já falei que é um dos raros momentos em que sou eu, minha cabeça e minhas músicas preferidas. É meu momento de esquecer tudo pra trás e só parar depois de alcançar o objetivo.

Tem alguns meses que eu to bem focada na corrida. Até entrei pra uma assessoria, pra ter acompanhamento especializado e melhorar meu condicionamento mais rápido pra atingir uma meta maior: Completar, sem caminhar, a volta da pampulha, em dezembro deste ano (18km).

No meu primeiro dia do treino com a assessoria, depois de saber que eu já corria há algum tempo, meu treinador perguntou: “Quantas corridas de rua vc já correu?”. E ficou de boca aberta quando eu respondi que nenhuma.

Aí eu fiquei pensando depois pq eu nunca tinha ido nestas corridas. Seria por medo? Medo de não terminar sem caminhar? Medo de não fazer em um bom tempo? Pão duragem de pagar mais de 100,00 nas corridas? Talvez uma mescla de tudo.

Aí fiquei sabendo da night run. Ia ter o pessoal da BH Race por lá (minha assessoria), seria de noite (adoro correr a noite) e custava 70,00 (não acho que seja barato, ou que seja um valor justo, mas em comparação com outras corridas, estava mais baixo)! Fiz minha inscrição e passei o final da semana todo tendo taquicardias quando pensava na corrida. E gerei um conflito interno bem estranho. Ao mesmo tempo que eu me sentia muito nervosa, eu pensava que era uma boba, pq 5km eu to acostumada a fazer. Porque o medo, a ansiedade?

Aí fui lá, no último sábado, dia 20, pra correr pra longe dos meus medinhos bestas. Quero dizer… Na verdade, quase não fui.

Não sei se todos sabem, mas eu não tenho carro. Tenho carteira, mas não dirijo, pq não tenho carro. Então dependo de ônibus pra me deslocar. No dia da corrida, verifiquei cedinho os ônibus que eu podia pegar. Sempre teria que pegar 2 ônibus (a corrida era na Lagoa da Pampulha, que pra quem também não sabe, fica LITERALMENTE do outro lado da cidade em relação à minha casa). Escolhi a rota mais rápida e mais cômoda para mim. Peguei o primeiro ônibus, desci e fiquei aguardando o segundo. Por mais de 40 minutos. Quando ele passou, estava tão cheio, que pensei que eu nem conseguiria entrar. Já comecei a entregar os pontos e a digitar um sms pro meu treinador guardar meu kit, que eu não poderia ir à corrida.

Eis que, no meio de um tantão de gente se amotoando no ônibus, vejo um senhorzinho, cabeça completamente branca, com a camisa da BH Race também. O Jean, que sempre me apóia e claro, estava comigo, falou: “ué, vamos também. se ele está tentando, pq vamos desistir?”. Subi no ônibus entupido e fui.

Ônibus cheio, passeata no centro, tudo estava levando a um fim não muito feliz. Murphy me pegou de jeito neste dia e não queria soltar! Por fim, chegamos ao local às +-19:45. Eu e um montão de corredores que foram se amontoando no ônibus lotado pelo caminho.

Deu tempo de pegar meu kit, amarrar o chip de qualquer jeito no meu cadarço (nota mental: prender melhor da próxima, pq é muito ruim correr pensando que perdeu o chip), prender o número de peito na camisa e me aquecer com a equipe enquanto engolia um sachê de gel de carboidrato.

Cada segundo que passava, mais nervosa eu ficava. Dava um frio na barriga cada vez maior. Quando me “liberaram” para a pista, fiquei meio zonza. Pus meu fone e fui pra concentração.Tava bem nervosa mesmo. Tinha muita gente e eu não sabia como funcionaria direito. Procurei o senhorzinho pra largar ao lado dele, mas não encontrei…

Veio a contagem regressiva. Muita gente pulando, cantando e dançando quando o “dj” gritou “VAAAAAAAI”, mas ninguém foi. Fiquei caminhando por quase 3 minutos, até chegar um ponto em que eu realmente conseguisse correr.

No início do percurso, me impressionou o tanto de gente que só caminhava. Quanta gente marca corridas pra bater papo. Eu ali, querendo correr, querendo me desafiar e desviar de tanta gente estava me atrasando. Fui bem pro cantinho, em cima do canteiro (ótima escolha, campeã!) e consegui passar da galera do blablabla. Os dois primeiros km foram muito tranquilos. Nem prestei atenção na minha música. Era esquisito, pq eu tava me sentindo imersa no silêncio… podia até ouvir meus passos. Tá, talvez eu tenha imaginado.

Aí veio a sede. Pelo que eu me lembrava do percurso no mapinha, no km2.5 teria um ponto de hidratação. Pouco antes de chegar, encontrei com o primeiro cara voltando. Nossa. Fiquei pensando só em como era possível que eu tivesse ali e um maníaco já tivesse VOLTANDO? Deixei de lado esse pensamento, corri pro outro lado da rua, para nao ver quem estivesse vindo e tentei voltar à minha imersão. Quando cheguei no ponto de hidratação, tava muito no pique. Pensei: “Eu já corri muito mais de 5km sem me hidratar nenhuma vez. Se eu parar agora pra pegar a água, vou diminuir o passo”. E passei direto. Continuei, sem dores, sem nada.

Tentei, por várias vezes encontrar alguém que eu pudesse seguir. Mas ou a pessoa era lenta demais, ou rápida demais. Isso me levou a seguir meu próprio ritmo. Assim como em todo treino.

Passei de novo pelo ponto de hidratação na volta e também não peguei água. Faltava pouco pra acabar. “Vai Amanda!”

Pouco tempo depois, começou a aparecer umas plaquinhas: “Faltam 300m!”. Nossa. Batimento cardíaco foi a mil! Nem corri de frequencimetro. Me conheço e sei que ficaria preocupada vendo os batimentos tão altos e acabaria diminuindo o ritmo. “Faltam 200m!” Só isso? Vambora!

Nesse momento, vi muita gente se dando as mãos pra cruzar a linha juntos. Gente se incentivando, gritando umas com as outras. Peguei toda força que eu ainda tinha e vrum! Disparei! Eu não tava ouvindo mais o Nike+, tinha até tirado o fone, não tinha idéia de como estava meu pace. Não sabia quanto tempo tinha que eu estava ali. Sabia que não seria nada extraordinário, mas esperava sinceramente, que estivesse abaixo do limite (gigante) que eu tinha estabelecido: 35minutos.

35 minutos era muito. Meu recorde é fazer em 29 minutos. Mas nas últimas semanas, treinando na esteira, não conseguia fazer em menos de 35min. Isto estava me decepcionando muito, pq comecei com a BH Race, justamente pq não conseguia diminuir meu tempo nos 5km.

Sei que de repente, no meio de tanto pensamento perdido e achado, vi um reloginho, muita gente gritando, muitos fotógrafos e muita gente posando para fotos. Eu não queria foto. Eu queria saber qual era meu tempo (aliás, todas as minhas fotos devem ter ficado horríveis!).

A sensação desses minutos finais é indescritível. Da uma onda de euforia, alegria, uma vontade de gritar… É engraçado, é como se fosse um treino. Vc faz 5km todos os dias, mas ainda assim, da toda essa sensação quando chegamos perto da linha de chegada. Só essa sensação já valeram os R$70,00 pagos.

Quando passei da linha de chegada, vi no relógio: 35:14. Nossa. A decepção tomou conta de mim. Parei na hora e, fraca, fui procurar o Jean. Na minha cabeça só passava: “puta merda. nem aqui? Dei todo o melhor de mim e não consegui melhorar nem em 14 segundos?”

Aí, depois que peguei a medalha, abocanhei a maçã que me deram e encontrei o Jean, é que ele me lembrou: “esse é seu tempo bruto. Vc caminhou um tempão até realmente chegar à largada”.

E de fato, no final do dia, entrei no site e vi. Tempo líquido: 31″51′. Poderia ter sido melhor? Sim, claro. Mas poderia ter sido pior também. Dei tudo de mim e disso eu tenho certeza. E esta sensação, a sensação de dever cumprido, é gostosa demais, gente!

Fiz cada km em, em média,6:22 minutos. Mantive o ritmo de 9.4km/hora. Não é muito. Ainda mais se compararmos com o doidão que chegou primeiro, fazendo em 16″24′. Nada mais que metade do tempo que eu fiz. Quem sabe um dia eu não corra assim, né mesmo?

Mas agora, a única coisa que me importa é que a sensação é indescritível. E que eu não sei se conseguirei ficar muito mais tempo sem essa sensação.

O dinheiro pago pela corrida? É alto mesmo. Muito abusivo, tendo em consideração que os organizadores devem ganhar todos os brindes que dão. Mas a sensação boa de ultrapassar a linha, o arrepio que da ao ver a galera se preparando pra cruzar e finalmente, a sensação de se superar, mesmo sem quebrar seus próprios recordes? Isso, não tem dinheiro que pague.

Próximas corridas, me aguardem.

E senhorzinho de cabelo branco a quem eu não tive coragem de agradecer, muito obrigada pelo incentivo involuntário e silencioso. Espero um dia poder retribuir de alguma forma.

mordendo a medalha – qualidade: péssima

Coisas que aprendo com as crianças, parte I

Um dia em casa, encontrei meu primo Arthur, de pouco menos de 3 anos, sentado no chão de um comodo qualquer comendo tranquilamente uma banana.

Achando engraçado a forma despreocupada que ele estava admirando o teto, perguntei: “O que vc quer da vida, menino?”

Ele encarou a banana por uns segundos, depois me olhou e afirmou, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo: “Quero comer minha banana, uai!”

Achei lindo o imediatismo infantile dele. Ele não queria saber do depois. Queria comer a banana dele e pronto. Depois ele pensava no resto.

Por que com o passar do tempo perdemos essa perspectiva? Por que cismamos em pensar que devemos planejar toda a nossa vida milimetricamente, a médio e longo prazo?

Por que nos esquecemos de pensar no agora? De nos preocupar só com o agora?

Eu passei uns bons anos só pensando no meu futuro. Trabalhar / estudar demais para poder, no futuro, ter uma vida tranquila e feliz.

Eu tenho 24 anos. Tenho um destino inteiro pela frente. Tenho centenas de coisas que gostaria de fazer, mas fico ainda com o pé atrás, porque me assombra o médio/longo prazo. E o que eu ganho com isso?

Vou dizer que estou exatamente onde eu queria estar quando fiz um planejamento de médio prazo alguns anos atrás. E sabe em que isto resultou? Em uma vontade louca de mudar logo estes planos. Do que adianta fazer tantos planos e se empenhar tanto em conquistá-los, se um dia você mesmo pode se convencer de que eles não são mais tão importantes?

A minha idéia de “imediatismo” começou junto com 2013. Se acordei e vou pra academia, vamos malhar com vontade. Vamos esquecer do relógio na parede e a preocupação de chegarmos na hora no trabalho. To indo correr? Vamos estipular a meta do dia e vamos nos empenhar em alcançá-la. Vamos trabalhar? Vamos tentar nos preocupar com o hoje. Dar o melhor de mim para que o hoje fique dentro dos conformes.

Já refiz minha agenda de compromissos para que esteja mais propensa a colocar em prática este plano. Aliás, este é o meu plano de longo prazo agora: Viver mais a curto prazo, assim como uma criança de 3 anos.

Post polêmico (mais que mamilos)

(Só pra constar, este blog é pessoal e reflete apenas a minha opinião. Leia tudo incluindo um IMHO quando lhe convier, ok? Se for comentar, lembre-se de manter o respeito à minha opinião. Obrigada.)

Um dia estava lendo a discussão de uma menina que defendia com unhas e dentes a idéia de que um evento era machista pq não tinha palestrantes mulheres. A história é um pouco mais floreada, já que estávamos no Dia Internacional da Mulher e as pessoas que organizavam o evento propuseram desconto para as mulheres que fizessem inscrições neste dia. Mas isto não vem ao caso, visto que ela não reclamava disto e sim da falta de palestrantes meninas na grade.

Aí, alguns amigos dos organizadores responderam falando que foi enviado um email à n listas de discussão divulgando o evento e chamando as pessoas para o envio de palestras. Segundo eles, receberam alguns papers, mas nenhum de mulheres. A própria organização se posicionou mais tarde confirmando estas afirmações.

(um adendo: a computação é uma área ainda muito masculina. E em algumas áreas da computação é ainda mais raro encontrar mulheres. O motivo, cabe aos psicólogos explicar. Eu não sei. O evento do qual estou falando é de uma dessas áreas. Sendo assim, é completamente normal que nenhuma mulher tenha enviado palestra)

Mesmo após esta afirmação, a menina, que falava tanto de direitos iguais, começou com uma idéia de que só chamar para palestrar não era necessário, que tinha que ter uma atenção especial por ser mulher.

Aí. Chega, né?

Sou “feminista”, que apóia a causa e briga com babões (e babonas) que falam merda sem saber. Por que hoje em dia, o machismo ta tão enraizado que mulheres o praticam, sem perceber. Mas não sou militante da causa, que para em praça pública pra gritar isto a todos os cantos. Talvez eu até devesse ser mais.

Mas o que eu quero, de verdade, é que os direitos sejam IGUAIS. Quero receber a mesma coisa que os homens, quando desempenhar o mesmo papel, no mesmo nível de carreira que eles. Não quero ser, como já fui, discriminada no meu trabalho por ser a única mulher na equipe. Não quero que me tratem como homem. Só quero que não haja sexismo. Porque pra mim, isto não faz o menor sentido.

E pra mim, ter uma distinção na chamada de trabalhos para mulheres, é sexista. Pra mim, eventos de computação voltados SOMENTE para mulheres, é sexista. Por que merecemos um evento só para nós? Porque não conseguimos aprender com a mesma destreza com que os homens o fazem?

Na computação tem sim muito mais homem que mulher. Vai ser sempre difícil trabalhar neste meio até que você aprenda a relevar certas coisas. Porque geralmente, homem é machista de natureza. Vem de berço. Infelizmente.

E como não o ser, quando uma mãe exclama orgulhosa quando vê o filho crescendo saudável: “Segurem suas cabritas, pq meu bode ta solto!”?

Isso é machismo. E a mulher que diz isso não percebe. E quando se cresce ouvindo coisas como estas, é mais que normal que tenha esta mentalidade quando se cresce. Raros são os homens que param pra pensar, colocam a mão na consciencia e percebem que este tipo de pensamento é retrógrado, machista e ridículo. E até quando se dão conta de que algumas coisas são machistas, continuam agindo de certa forma, pq não conseguem perceber que é machismo. É difícil lidar com isso. É cultural.

Assim sendo, é difícil aprender a lidar com isso, mas é necessário. A menos que você queira ser a chata que vai proclamar um discurso feminista toda vez que um grupo de amigos (ou sua equipe de trabalho) comentarem sobre “a gostosa” que acabou de passar. Por que sim, isto é objetificar uma mulher e portanto, uma forma de machismo. Mas quem diria? Alguns homens até diriam que isso é apenas um elogio.

Eu aprendi a conviver com este tipo de coisa para me dar bem com o “meio” em que convivo. Já fui boba de aceitar o preconceito (já disseram na minha cara que eu, mesmo sendo a única graduada da equipe, só recebia menos por ser mulher – a única também) e já fui otária de pensar que toda a agressão sofrida era culpa minha (como achar que só fui objetificada na rua pq estava com aquela calça justa e que eu não deveria usá-la mais).

Acho que não ganho nada gritando aos quatro cantos que só sou tratada como sou porque sou mulher. Creio que ganho mais brigando quando convém e ignorando, também quando convém. Quando coloco na balança e peso as agressões. É muito mais grave, ao meu ver, um homem que bate na mulher, ou uma empresa que paga menos às mulheres, do que o cara que chamou de gostosa a moça que passou à sua frente. Sim, eu sei, possivelmente, os que objetificam desta forma, serão aqueles que tratarão com inferioridade uma funcionária ou esposa. Mas neste momento, não vejo como prioridade para ataques. Apenas abro o olho com a pessoa que o fez.

Quando me disseram que eu só recebia menos pq era mulher, não fui à luta. Eu era nova. Praticamente meu primeiro emprego, era boba. Estava aprendendo a me portar diante da sociedade machista em que vivemos. Hoje, sei que ninguém é doido de fazer isso comigo, ou com alguém que eu conheça, porque eu não sou mais a mesma. Eu aprendi muita coisa de lá pra cá.

E aí aprendi isso também. Que tenho que saber “dosar” quando um machismo deve ser reclamado ou não. Não vou incentivar. Só não vou aprontar um escarcéu por uma palavra chula proferida a uma mulher na rua. Até porque, às vezes elas até gostam, vêem isso como verdadeiro elogio. Cada um pensa da forma como quiser.

E com isso, com esse texto meio sem pé nem cabeça e cheio de opiniões aleatórias, finalizo minha opinião sobre o feminismo/machismo.

Vamos sim ficar de olho nos machismos, mas vamos soltar as pedras, beleza? O mundo já tem hostilidade demais pra gente encrencar com todo homem que soltar um “elogio” atravessado a uma mulher. Ou com todo evento de TI que não possuir mulher em sua grade de palestras, mas quiser fazer uma promoção (estas, tão comuns neste dia), no 08 de março. Um dia, a gente vai revertendo este quadro, quem sabe, né?

E não vamos caçar confusão, né? Me diz, por favor, qual a necessidade de se afirmar mulher em uma discussão técnica? Uma vez que todos os direitos devem ser iguais e que você quer ser vista como igual, se apresentar em uma lista de discussão, em uma rede social ou canais do IRC com “Oi, meu nome é Amanda, sou mulher e analista de sistemas” é no mínimo desnecessário.

Os últimos anos, o ano que vem e um desabafo.

Nos últimos 2 anos, eu literalmente parei de escrever. E de ler. Em resumo, perdi o interesse por coisas que antes eram minha paixão. Não tive qualquer coisa que pudesse chamar de hobby.

Não sei porque. Acho que trabalhei demais nos últimos 3 anos. Cheguei a trabalhar por 27 horas direto neste período. Mais de uma vez, inclusive. Talvez por isso, no meu tempo livre, a única coisa que me atraía era não pensar tanto (sim, shame on me).

E nestes anos, quanto mais eu buscava não me esforçar para pensar, mais eu comia. E quanto menos eu fazia, mais eu engordava. Ao todo? Uns 20kg! E daí veio algo que eu posso, talvez, começar a chamar de hobby por agora.

Comecei a frequentar a academia em meados de 2010. Aí tava tentando tirar carteira de motorista, tava tentando mudar de emprego, acabei postergando. Faltava paciência também. Não via graça nenhuma em ficar movimentando membros segurando pesos enquanto o tempo passava diante mim. Que coisa mais sem graça né?

Aí a gente coloca na cabeça aquela coisa de “Ah, não me importo com meu corpo, pq tenho cabeça, bom papo, blablabla”. Bullshit.

Minhas roupas estavam ficando horrorosas em mim (nem nada que eu comprava ficava bom) e eu não estava bem comigo mesma. Essa era só uma desculpa de mim para mim mesma para que eu pudesse me perdoar e continuar desleixada daquele jeito.

No novo emprego (que colaborou muuuito com meu ganho de peso, por causa das inúmeras pizzas durante as horas extras), me matriculei de novo na academia. Ia de manhã, chegava tarde no trabalho, saía ainda mais tarde (com todas horas extras). Fazia jump e achava bem legal ficar pulando num trampolim.

Aí cansei. O volume de trabalho me fazia preferir ficar na cama descansando do que ficar pulapulando por aí.

Mudei de academia. Me matriculei em uma perto do meu trabalho. Era bem mais cara, ‘mas tudo bem, posso ir depois do trabalho e fazer natação. Adoro natação, vou emagrecer bastante’. Mentira. Em 1 ano, não fui na natação nenhuma vez. E ir depois do trabalho? Qualquer convite para happy hour era mais interessante que a academia.

Mas, pelo menos 3x na semana fazia spinning e comecei com uma idéia que hoje, pode ser a única coisa mais próxima de um hobby para mim: correr.

Nestes meses de academia, não emagreci nenhum grama. Pelo contrário. Engordei ainda mais. Era culpa da falta de vergonha na cara.

Aí um dia, me vi em uma foto e me assustei com o tanto que estava redonda. Fiquei com vergonha daquilo. Minhas calças estavam quase 10 números acima do que eu costumava vestir! E nada me caía bem. Ia me arrumar para uma festa e a única coisa que eu sentia era tristeza. Aí resolvi colocar um ponto final.

Chega dessa postergação. Que tipo de vida estou tendo? É este o tipo de vida que eu quero? A vida que se empurra, que se toca? É assim mesmo que eu quero ser? Uma gordinha que caminha para ser acéfala pq está sempre cansada demais para qualquer coisa? Por favor, né?

Isto foi no meio de 2012… Lá pro mês de agosto. De lá pra cá, foram 10kg embora. Muito mais que isso de gordura e alguns kg de massa magra ganha. E mínimos 5km de corrida quase que diariamente. Se não na esteira, na rua. Comecei o pilates e perdi 20cm na barriga! And I can do better!

Depois deste ponto final, já mudei bastante coisa. Decidi me alimentar melhor, não parar de me exercitar (afinal, endorfina, essa linda, vicia!), decidi qual pós vou fazer, decidi estudar sozinha para me preparar para a pós, decidi voltar a ler (já li 2 livros – grandes – neste intervalo), decidi voltar a escrever.

E como incentivo ao último ítem, meu namorado me deu de presente de natal este domínio, com tudo configurado, como um pontapé inicial.

By the way, domínio o qual, eu já havia comprado em 2010 e perdi, pq por falta de tempo e ânimo, acabei deixando pra la.

Tanta gente me envia mensagens comentando o quanto sente falta de ler o que eu escrevo. Isso me impressionou. Não sei se vou voltar a escrever como escrevia antes. Então não sei se vou decepcionar quem gostava do que eu escrevia. Mas vou escrever mesmo assim, pq quero muito tornar a ter esse prazer da escrita. E da leitura. E da corrida!

Quero me dar estes prazeres de volta em 2013.

2013 vai ser o ano das redescobertas. O ano de por a vida nos trilhos novamente. O ano de guiar e não de ser guiada por qualquer coisa.

Vai ser o ano de me cobrar mais, de me importar mais comigo. De continuar tendo em mente que a idéia de que a vida é a gente quem faz. De não ser pela metade. Não quero mais me dar desculpas para não ser plena.

Se é pra fazer alguma coisa, façamos direito! É pra correr? Bora correr maratonas, então. É pra estudar? Bora nos certificar. É para ler? Vamos fazer uma lista e riscar linha por linha os livros que serão lidos. Bora fazer da vida uma realidade palpável.

E aí, quem ta comigo?!

P.S.: Sejam bem vindos à nova casa. Não reparem a bagunça, as idéias desconexas. Aos poucos, vou colocando em prática as idéias que já tinha desde que comprei o domínio em 2010.

E Jean, muito obrigada pelo presente. Ele me emocionou de verdade e você nem sabe o quanto! <3